Quando comecei a conhecer Mendoza com minha família, na Argentina, uma das surpresas que mais gostamos de encontrar foi o Parque General San Martín.
Fizemos este passeio em um dos confortáveis ônibus de City Tour em Mendoza disponibilizado pelo nosso excelente parceiro GetYourGuide:
Depois de passearmos bastante pela cidade e centro histórico, seguimos em direção ao Parque General San Martín.

Nós imaginávamos um grande parque urbano para uma caminhada tranquila, mas descobrimos um lugar muito mais interessante: uma enorme área verde onde jardins, esculturas, construções históricas, um lago e até uma montanha com um dos monumentos mais importantes de Mendoza se misturam em um mesmo passeio.
O parque é daqueles lugares em que vale a pena diminuir o ritmo. Em vez de simplesmente chegar, tirar algumas fotos e ir embora, gostamos de caminhar sem pressa, observarmos os detalhes e entendermos um pouco da história por trás de cada espaço.
Com centenas de hectares e uma grande diversidade de espécies vegetais, o Parque General San Martín é considerado um dos principais espaços verdes de Mendoza.

Sua história começou em 1896, quando foi criado como Parque del Oeste, dentro de um projeto de transformação e arborização da cidade.
O paisagista francês Carlos Thays, um dos nomes mais importantes do paisagismo na Argentina, participou de seu projeto. E é justamente essa combinação de natureza e história que torna o passeio tão especial.
Os famosos Portões do Parque General San Martín
Nossa entrada no parque começou por um dos seus cartões-postais mais conhecidos: os Portões do Parque General San Martín.

Eles são enormes, imponentes e cheios de detalhes. Feitos em ferro fundido, foram adquiridos na Escócia, na fundição Walter Macfarlane & Co., e instalados no início do século XX.

No alto dos portões aparecem um condor e o escudo de Mendoza, elementos que ajudam a dar ainda mais personalidade à entrada.

Confesso que os portões já dão aquela sensação de que alguma coisa interessante está começando. É um daqueles lugares em que a primeira foto praticamente acontece sozinha.
Ao atravessá-los, a paisagem muda. O movimento urbano fica para trás e começam as grandes avenidas arborizadas, jardins e caminhos do parque.

Os Caballitos de Marly do Parque General San Martín
Pouco depois dos portões, encontramos outro dos muitos símbolos do parque: os Caballitos de Marly.

As esculturas são reproduções dos famosos Cavalos de Marly, originalmente criados pelo escultor francês Guillaume Coustou para os jardins do Palácio de Marly, na França.
As peças originais estão atualmente no Museu do Louvre, enquanto as de Mendoza foram encomendadas pelo governo provincial em 1911.
Achei interessante perceber como uma obra de inspiração francesa acabou se tornando parte da paisagem de Mendoza. É um detalhe que mostra como o parque foi pensado para reunir diferentes referências artísticas e paisagísticas.
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A Fonte de los Continentes
Outro ponto que merece uma parada é a Fuente de los Continentes, uma das esculturas mais bonitas e fotografadas do parque.

A fonte representa quatro continentes: América, Ásia, Europa e África. A ausência da Oceania tem uma explicação histórica: na época em que a obra foi concebida, ela ainda era considerada, em algumas classificações, parte da Ásia.

A fonte foi adquirida de uma fundição francesa e apresenta características típicas das fontes ornamentais europeias dos séculos XVIII e XIX.

Para nós, esse foi um daqueles lugares em que vale a pena não apenas tirar uma foto, mas olhar a escultura com um pouco mais de atenção. Há muitos detalhes que passam despercebidos quando simplesmente atravessamos o parque.


O Lago do Parque General San Martín
Depois de passar pelos jardins e esculturas, chegamos à uma das áreas mais agradáveis do passeio: o Lago del Parque San Martín.

O lago artificial começou a ser planejado no início do século XX e é um dos elementos que mais ajudam a criar a atmosfera tranquila do parque.
Ele tem aproximadamente um quilômetro de extensão e cerca de 100 metros de largura, além de uma ilha em uma de suas extremidades.
Foi uma das partes em que mais gostamos de simplesmente caminhar. A água, as árvores e os espaços abertos fazem um contraste interessante com o clima árido de Mendoza.

Essa é uma das características que mais chamam a atenção no parque: Mendoza está em uma região de clima naturalmente seco, mas aqui encontramos uma enorme área verde construída e mantida graças a um complexo sistema de irrigação.
Historicamente, a criação dessa paisagem exigiu um enorme trabalho de arborização e distribuição de água.
Assista o vídeo de nosso canal no YouTube e confira um dos locais mais bonitos e agradáveis do Parque General San Martín:
O Rosedal: um dos cantinhos mais românticos
Ao lado do lago está o Rosedal, uma área que achamos especialmente agradável para caminhar e relaxar durante algumas horas.

O espaço reúne roseiras, pérgolas, fontes e esculturas, formando um dos cenários mais charmosos do parque. O Rosedal surgiu como parte das transformações paisagísticas realizadas no início do século XX e se tornou um dos pontos clássicos do passeio.

É também um daqueles lugares que mudam bastante conforme a época do ano. Quando as roseiras estão floridas, o cenário fica ainda mais bonito.

Para quem gosta de fotografia, natureza ou simplesmente quer fazer uma pausa durante a caminhada, vale reservar um tempo para explorar essa área sem pressa.

Leia também: Toda a beleza do Rosedal em Buenos Aires
A ilha e as margens do lago
A pequena ilha do lago também faz parte do charme do conjunto. Vista das margens, ajuda a criar uma paisagem muito diferente daquela que encontramos nas avenidas e jardins da entrada do parque.

O lago, a ilha e o Rosedal formam praticamente um único grande cenário, e foi nessa região que sentimos mais vontade de ficar algum tempo a mais apenas observando a paisagem.
O parque não precisa ser percorrido como uma lista de atrações. Na verdade, acho que ele fica muito mais interessante quando você deixa um pouco de espaço para simplesmente caminhar.
Museu de Ciências Naturais e Antropológicas Juan Cornelio Moyano
Nas proximidades do lago está outro ponto importante: o Museo de Ciencias Naturales y Antropológicas Juan Cornelio Moyano.

O museu reúne coleções relacionadas à arqueologia, paleontologia, antropologia, zoologia e outras áreas das ciências naturais. Ele faz parte do conjunto cultural do Parque San Martín e acrescenta uma dimensão completamente diferente ao passeio.
Mesmo para quem não pretende passar muito tempo dentro de um museu durante uma viagem, vale conhecer sua localização e incluí-lo no roteiro caso você tenha algumas horas disponíveis.
Cerro de la Gloria e o Monumento ao Exército dos Andes
Talvez o ponto mais emblemático de toda essa região seja o Cerro de la Gloria.


O cerro foi incorporado ao parque no início do século XX, quando o espaço verde se expandiu para o oeste. No alto está o monumental Monumento ao Exército dos Andes, inaugurado em 1914 e dedicado à campanha liderada por José de San Martín e ao Exército dos Andes.

O monumento foi criado pelo escultor uruguaio Juan Manuel Ferrari. A composição tem como destaque a figura equestre de San Martín, acompanhada por representações dos granadeiros e outros elementos relacionados à travessia dos Andes.

Um dos detalhes que mais chamam a atenção é a representação dos cavalos em diferentes situações, simbolizando a partida e a chegada do Exército dos Andes após a travessia da cordilheira. Os frisos na base também representam diferentes momentos relacionados à preparação da campanha.

No topo está o símbolo da Liberdade, representado por uma mulher com correntes quebradas em suas mãos. Um pouco mais abaixo, um condor pode ser visto em voo, símbolo dos Andes.
Além do valor histórico, o Cerro de la Gloria proporciona uma vista panorâmica de Mendoza e do entorno. Por isso, considero esse passeio quase obrigatório para quem quer conhecer o lado histórico e paisagístico do parque.

É importante, porém, lembrar que o Cerro de la Gloria fica em uma área diferente do circuito mais tranquilo dos portões, lago e Rosedal. Se você quiser conhecer tudo com calma, vale reservar algumas horas.
Teatro Griego Frank Romero Day
Outro lugar muito importante dentro do complexo do parque é o Teatro Griego Frank Romero Day.

É nesse enorme anfiteatro que acontece o espetáculo central da Fiesta Nacional de la Vendimia, uma das celebrações mais importantes da cultura mendocina.
O teatro foi projetado aproveitando a própria paisagem dos cerros como parte do cenário. Segundo o governo de Mendoza, o espaço possui capacidade para cerca de 20 mil espectadores sentados e uma grande boca de cena, tendo as montanhas como pano de fundo.
Mesmo quando não há espetáculo, é interessante conhecer o local e perceber como arquitetura e natureza foram pensadas juntas.
O antigo Zoológico e o atual Ecoparque
Outra área que faz parte da história do Parque San Martín é o antigo zoológico de Mendoza, atualmente associado ao Ecoparque.
A presença de um zoológico no parque remonta aos primeiros anos de sua formação. Segundo registros históricos do governo provincial, já por volta de 1900 havia um setor destinado ao zoológico.
Hoje, a área está inserida em uma proposta diferente da antiga função zoológica, dentro do processo de transformação do espaço.
É interessante conhecer esse pedaço do parque justamente porque ele mostra como o lugar foi mudando ao longo de mais de um século.
Parque Aborigen do Parque General San Martín
Para quem gosta de botânica e cultura, outro espaço interessante é o Parque Aborigen.
Ele apresenta espécies da flora nativa e ajuda a mostrar um pouco da vegetação característica de outras regiões argentinas, contrastando com as árvores e espécies introduzidas que dominam boa parte do Parque San Martín.
É mais um exemplo de como o parque vai muito além de um simples espaço para caminhadas: ele também funciona como uma grande área de contato com diferentes espécies vegetais.
Estádio Malvinas Argentinas
O Parque General San Martín também abriga importantes espaços esportivos. Um dos mais conhecidos é o Estádio Malvinas Argentinas, construído para a Copa do Mundo de 1978, quando Mendoza foi uma das cidades-sede da competição.
Mesmo para quem não acompanha futebol, o estádio faz parte da história moderna da cidade e ajuda a entender a dimensão do parque, que reúne áreas de lazer, cultura, esporte e educação.
Universidade Nacional de Cuyo e outros espaços do Parque General San Martín
Outra característica curiosa é que o parque não é apenas turístico. Dentro de seu enorme território estão também espaços educacionais e científicos, incluindo a Universidad Nacional de Cuyo, além de centros de pesquisa e outras instituições.
Isso faz com que o Parque San Martín tenha uma vida própria. Não é apenas um lugar visitado por turistas: é também um espaço utilizado diariamente pelos moradores de Mendoza.
Um parque que conta a história de Mendoza
Depois de conhecer todos esses lugares, uma coisa ficou muito clara para nós: o Parque General San Martín não é apenas uma atração turística, ele conta uma parte importante da própria história de Mendoza.


Em poucos quilômetros, é possível sair dos enormes portões de ferro, passar por esculturas inspiradas na França, caminhar entre roseiras, chegar a um lago artificial, visitar um museu, subir um cerro histórico e terminar diante de um monumento dedicado ao Exército dos Andes.
Vale a pena conhecer o Parque General San Martín?
Para nós, sim, principalmente se você estiver em Mendoza por alguns dias e quiser conhecer a cidade para além das vinícolas.

O parque merece ser visitado com calma. Não acho que seja um lugar para simplesmente “marcar na lista” e ir embora.
A graça está justamente em caminhar, sentar perto do lago, observar os jardins, descobrir as esculturas e perceber como uma paisagem tão verde foi construída em uma região naturalmente árida.

Se você tiver pouco tempo, eu começaria pelos Portones, Caballitos de Marly, Fuente de los Continentes, Lago e Rosedal. Com mais tempo, acrescentaria o Museu Juan Cornelio Moyano e reservaria um período separado para o Cerro de la Gloria e o Monumento ao Exército dos Andes.

E, se a viagem coincidir com algum evento no Teatro Griego Frank Romero Day, vale conferir a programação, porque assistir a uma apresentação tendo as montanhas de Mendoza como cenário deve ser uma experiência completamente diferente.

No fim, saímos do Parque San Martín com a sensação de que havíamos conhecido muito mais do que um parque. Conhecemos um pedaço da identidade de Mendoza, um lugar onde natureza, arte, história e vida cotidiana convivem em um mesmo espaço. E talvez seja justamente isso que faça o Parque General San Martín ser tão especial.

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